Imagine um amplo espaço a sua frente para que você possa apreciar tudo o que se estende entre o lugar que você ocupa e a linha que parece unir o céu e a terra. Expanda seu olhar pela paisagem ao seu redor. E contemple esse panorama.
Respire fundo.
Esse é um convite para exercitar a amplitude do olhar que permite abarcar muitos elementos. E trago essa imagem para apresentar um outro panorama: o biográfico.
Você sabe do que se trata?
Panorama biográfico é o nome dado ao processo de revisitação da própria história. É indicado para adultos a partir dos 28 anos e tem caráter higiênico e preventivo.
É um processo fundamentado nas leis biográficas, segundo a Antroposofia.
Como surgiu essa história?
Desde a antiguidade, o desenvolvimento humano tem sido dividido em fases ou períodos, para que possa ser melhor compreendido. Os romanos falavam em 5 fases de vida. E, para os gregos, o método biográfico era estimado em 10 períodos de 7 anos de desenvolvimento[i].
E para a Antroposofia, esse processo começa quando, no início do século passado, Rudolf Steiner, a partir do conhecimento teosófico, trouxe uma nova luz e profundidade sobre essa questão do desenvolvimento humano. E também escolheu observá-lo em períodos de 7 anos, os setênios.
Voltando a falar em panorama biográfico…
Muitas pessoas, de várias regiões do mundo, foram se juntando, e podemos dizer que foram encontros muito significativos.
Foi assim que, em 1905, na Indonésia, nasceu um menino, Bernard Lievegoed, que logo aos 2 anos foi para a Holanda com seus pais e mais tarde, tornou-se médico psiquiatra. Muito estudioso, se deparou com a Antroposofia e começou a organizar essas informações, tendo, inclusive, escrito o importante e interessante livro ‘Fases da vida – crises e desenvolvimento da individualidade’. O que ele conheceu e aprendeu foi tão verdadeiro, que ele propôs uma reforma na educação na Holanda, fundou o instituto de pedagogia curativa e depois se ateve mais a aplicação desses conhecimentos no âmbito empresarial, trazendo uma nova consciência para esse setor.
Paralelamente, em 1929, nasceu a Gudrun Burkhard, no Brasil, filha de alemães, que também formou-se em medicina. E, tendo conhecido a antroposofia de Rudolf Steiner, buscou se aprofundar nos conhecimentos da medicina ampliada por essa filosofia, e entre os cursos na Europa e sua vida no Brasil,fundou, com o apoio do seu marido, Pedro Schimidt, a Clínica Tobias em São Paulo, sendo considerada assim a fundadora da medicina antroposófica no Brasil. Desde 1970, ela foi ministrando cursos sobre a biografia humana, e, ainda hoje com 91 anos, produz bastante reflexão.
É autora de vários livros, entre eles “Tomar a vida nas próprias mãos”, que tornou-se um lema.
Resumindo:
Coube à Gudrun e seu segundo marido, Daniel Burkhard, desenvolver a metodologia do aconselhamento biográfico baseada nas indicações das fases de desenvolvimento do ser humano, trazidas por Rudolf Steiner e inicialmente organizadas por Bernard Lievegoed.
E, pronto, esses são os 4 protagonistas desta história.
E, como eu ia dizendo…
A partir dessa fundamentação antroposófica em que se reconhece leis que orientam o desenvolvimento humano, é que se cria o trabalho terapêutico onde cada um, através da observação da sua própria história, pode aprender mais sobre si mesmo e reorientar seu futuro. Esse processo permite distinguir o individual do geral: ou seja, reconhecer a sua própria maneira de viver aquilo que é pertinente ao desenvolvimento humano.
A primeira etapa corresponde reconhecer e diferenciar essas questões, e, depois, resignificar os acontecimentos da própria vida. Porque o passado é flexível à medida que atribuímos novo valor e compreensão sobre ele. Ele não é estático.
No livro ‘Jornada do Herói’[ii] tem a seguinte citação da Cristina Damasceno L e Silva, do Depto de Letras da PUC-RJ, sobre isso:
“O senso comum mantém enraizada a ideia do passado como algo fixo, imutável, em detrimento da compreensão de ser um processo de atribuição de sentido flexível, na medida que a memória interpreta, explica e constrói os fatos.”
Daí pode-se dizer que o processo biográfico também pode ser realizado mais do que uma vez, já que a medida em que a consciência se amplia, outros aspectos podem ser resignificados.
Mas, para quê serve esse panorama biográfico ?
Sendo um trabalho de observação e reconhecimento da própria história, o Panorama Biográfico é uma maneira de reconhecer a força que suas vivências trouxeram para você. Então, se você está indecisa/o, ou inseguro/a, ou insatisfeita/o com o que está vivendo, se dê essa oportunidade. Você pode enxergar mais amplamente quando toma certa distância e, pode compreender melhor como os eventos que compõe a sua história trazem a base da sabedoria que você precisa, agora. As vezes, precisamos dar um passo atrás para nos movermos com mais confiança.
O panorama biográfico também apoia processos psicoterapêuticos à medida que proporciona uma visão panorâmica da própria trajetória e leva a considerar quais são as etapas que precisam ser melhor elaboradas para contribuir com sua harmonia no presente e para o futuro.
E a aconselhadora biográfica é aquela que orienta sobre as trilhas que deve percorrer para alcançar o lugar onde se é possível visualizar tal Panorama Biográfico.
Será um prazer percorrer esse caminho com você!
[i] Fases da Vida, de Bernard Lievegoed
[ii] ‘Jornada do Herói’, de Monica Martinez.





